Fases do concurso - Prova oral - Parte 13 - Fazer ou não cursos - o 1º lugar é fruto de um curso?

By | janeiro 20, 2020 Leave a Comment

Muitas pessoas me perguntam se é mesmo necessário fazer curso de prova oral. Isso me parece depender de algumas variáveis. 

Em primeiro lugar, a prova oral exige mais treino do que as fases anteriores em razão da AUSÊNCIA DE COSTUME de sermos avaliados, sob pressão, AO MESMO TEMPO em que executamos a prova. O treino com os colegas tem, sim, o condão de neutralizar essa estranheza e de automatizar processos de verbalização de raciocínio. 

Superada a estranheza, a oratória é um saber PRÁTICO, ie, é melhor internalizado com a prática. No entanto, assim como outros saberes práticos, a habilidade é potencialmente ELEVADA à medida que está associada a alguma técnica que ajude a CONSTRUIR BONS RACIOCÍNIOS.

Firmadas tais premissas, entendo que o candidato que (i) já tenha prática de falar em público e/ou (ii) consiga construir, SEM preparação prévia e sob PRESSÃO, bons raciocínios NÃO precisa fazer cursos e pode tranquilamente se contentar com treinos com colegas e/ou com a prática profissional. Falo por mim mesmo: antes de fazer a prova oral do MPF, era/tinha sido juiz no TJSP/TJRS e não tinha tempo para treinar, mas a prática em cenários formais (como audiências) me trouxe bom timing para a prova. 

Em todo caso, optando por fazer cursos, vale a pena analisar se o curso é focado mesmo no aspecto TÉCNICO (ao invés da imposição de modelo de postura com meros simulados), com adequada formação na área (e não mero fruto da “maximização” da própria experiência de aprovado). Um pedreiro pode, pela própria experiência, ensinar a construir uma casa. Talvez, se muito experiente, de até dois andares. Jamais um prédio. Uma obra do metrô. A prática leva à automação, e não à previsão. Conduz-nos à velocidade decisória. O engenheiro, por outro lado, com aporte técnico, tem maiores condições de expandir a prática para voos mais altos. Tem linguagem para isso. Porém, um engenheiro que faz construções ruins não é a melhor indicação. A teoria leva - apenas - à previsão, e não à automação. O fato de saber o que fazer não autoriza a ilação de que vai fazer! Conciliar a teoria com a prática: eis o melhor caminho.

Além disso, se a demanda é mais psicológica, vale a pena procurar um profissional com expertise na área. 

No final das contas, um professor é apenas o preparador físico: jamais o Messi se tornou o Messi por conta do preparador. A enorme parte do mérito é do candidato! 


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