Últimas Postagens

Trago hoje aqui a trajetória da Consuello Alcon, aprovada para promotora do MPPR e que tomará posse em breve! Fico, em primeiro lugar, muito...


Trago hoje aqui a trajetória da Consuello Alcon, aprovada para promotora do MPPR e que tomará posse em breve! Fico, em primeiro lugar, muito feliz por, de algum modo, ter ajudado a encontrar o caminho que funcionou melhor! Estudar por resumos ou grifos; com ou sem questões; deitado ou sentado; o cardápio, enfim, é infinito: busquemos, então, aquilo que funciona para o nosso perfil de aprendizado e rotina! Não há segredo: erro e acerto! Como bem observou Consuello, devemos estar preparados, inclusive, para dar um passo para trás: "Nada disso, no entanto, pode funcionar para você. Por isso quis escrever esse depoimento, compartilhar o que deu certo, mas, principalmente, dizer para construírem e confiarem no seu próprio jeito de estudar, no seu material e no que vem te acompanhando até aqui. Se nada parece dar certo ou se você não sabe como estudar, não tema dar um passo atrás." Parabéns, Consuello! Muitas felicidades na nova carreira!!

Desde o início da estudo para concurso eu venho constantemente neste perfil em busca de inspiração e informação nos depoimentos de aprovados. Ao mesmo tempo, eu adorava imaginar o que escreveria no dia em que chegasse o momento de contar a minha história até a aprovação. É, chegou a minha vez.
Me chamo Consuello Alcon Fadul Cerqueira e fui aprovada no último concurso para promotor de Justiça do Ministério Público do Paraná. Sou mineira, mas me formei em Direito na Universidade Federal Fluminense em Niterói, Rio de Janeiro. Influenciada pela carreira na advocacia da minha mãe e inspirada por um professor, minhas aspirações durante a faculdade eram a advocacia e o magistério. Tão logo conclui a graduação, comecei a advogar e, concomitantemente, a cursar o mestrado na PUC-Rio.

Foi no encontro dessas duas carreiras que a admiração pela atuação do promotor de Justiça e o desejo de ingressar nos quadros do Ministério Público surgiram e foram crescendo em mim. A pandemia trouxe muitas mudanças e a coragem para alterar o rumo, todos os projetos de vida, e ir atrás daquilo pelo que finalmente me senti vocacionada.

Após pouco mais de três anos atuando como advogada, comecei os estudos em agosto de 2020. A vida inteira fui uma pessoa e aluna extremamente comprometida e absolutamente fã de rotina. Por isso, dediquei as primeiras semanas para juntar informações sobre o universo dos concursos. Conversei com colegas, pesquisei cursos, segui inúmeros perfis no Instagram até que, já alguns meses após iniciar os estudos, cheguei no perfil do Júlio César de Almeida.

Absorvi inúmeras histórias contadas nesse perfil e a inesgotável fonte de conhecimento compartilhada no seu blog. Disso pude tirar duas princiais lições que foram essenciais para minha evolução.

A primeira foi entender que existem realidades diferentes de estudo e todas levam à aprovação. Há aprovados que “só” estudavam, outros com trabalho e filhos, uns constam horas líquidas, há quem não faça questões e até quem quase não lia lei seca, há quem estude na cama, outros só com cronograma, métodos e cadernos coloridos. Eu, em meio a uma bagunça sem tamanho e canetas bic. O que importa é que o estudo seja uma importante parte da sua vida.

Mas isso não é suficiente, é preciso estudar com qualidade e, aí, entra a segunda lição. Não existem verdades universais quando se trata de métodos de estudo. Ainda que possam te dizer diferentes formas de se estudar, ninguém poderá te dizer qual A melhor forma para você aprender e absorver esse conhecimento (e lembrar na hora da prova). 

A vida inteira eu estudei fazendo resumos à mão e obtive sucesso nas provas, vestibular e no mestrado, mas, quando comecei o estudo para concurso só se falava em grifos e que resumos à mão eram perda de tempo. Então, eu achei que devia fazer isso também. Foram meses grifando materiais até aceitar que aquilo não funcionava para mim, eu não guardava a informação e precisei recomeçar.

A partir daí, estudei todas as disciplinas fazendo resumos de doutrina no papel. A maioria dentro do próprio vade mecum, inúmeros post-its e notas de rodapé foram necessários. As matérias mais teóricas e complexas ganharam cadernos próprios (Penal, Consititucional, Administrativo e Processo Coletivo). A inspiração para esse sistema veio do próprio depoimento do Júlio César, que mostra com detalhes em seu blog.

Além disso, diferentemente de muitas recomendações, eu sempre estudei ouvindo música e não só música clássica ou com ondas para concentração. Grande parte do tempo ouço músicas com letra e aquelas que gosto e me estimulam. É essa afetividade que me ajuda a concentrar. Para a segunda fase do MPPR, por exemplo, ouvia “Unstoppable” da Sia diariamente e sem parar. 

Eu também malhava pelo menos cinco vezes na semana em todo esse período, inclusive durante o estudo para prova oral. Atividade física sempre foi uma parte importante da minha vida e, para mim, não teria existido aprovação sem ela. Inúmeros colegas aprovados também praticavam atividade física, então, não se culpe se mantê-la seja seu desejo, mas adapte-a à sua realidade atual. É importante ter algo que seja saudável e prazeroso na sua rotina.

É claro que também houve renúncias, dúvidas, estudos às 5h e culpa quando saía para me divertir. Não preciso detalhar aqui as abdicações necessárias no estudo para concurso, pois cada um sabe as exigências e o custo que experimentam. 

Preciso dizer, no entanto, que, para mim, todos valeram a pena. Claro que pela aprovação, mas não só por ela.  Eu fui muito feliz enquanto estudava. Foi um processo de luta e autoconhecimento enorme. O concurso nos ensina a ser resilientes e a acreditar, características que serão também necessárias no exercício da profissão. É importante enxergar essa fase como crescimento, especialmente diante da responsabilidade que nos aguarda após a posse.

Como sei que concurseiro adora saber um pouco de método e rotina, vou narrar brevemente o que fazia no período de estudo e deu certo. Comecei estudando seis disciplinas principais, cada uma duas vezes na semana e duas por dia. Isso foi bom para mim porque pude avançar mais rapidamente nelas e a frequência me ajudou a gravar melhor as informações.

Por outro lado, quando cheguei na segunda fase do MPPR, ainda não havia estudado disciplinas que são importantíssimas para as provas de Ministério Público, como ECA, Direitos Humanos, Difusos no geral, e outras também cobradas, como Empresarial e Tributário. Foi um período sofrido para “correr atrás” desse conhecimento em menos de dois meses. Deu certo, mas minha nota no grupo de difusos foi bem ruim e, por pouco, não me tirou do concurso. Mesmo na primeira fase, das 20 questões desse grupo só acertei 11.

Voltando à rotina, à doutrina eu somava doses diárias de lei seca pura e algumas questões. Lia os informativos aos finais de semana, direto no site dos tribunais, mas, para os mais importantes ou complexos, usava o Dizer o Direito. Também usava o buscador quando estudava doutrina e ouvia aos dodcasts em momentos “perdidos”, como quando corria ou no trânsito.

Fiquei um ano e meio sem qualquer rede social pessoal. Para mim foi mais fácil não acessar do que limitar o tempo.

Nesse processo de construção de rotina, não posso deixar de mencionar também o material do Meu Esquematizado. O direcionamento indicado em cada ponto das disciplinas e a divisão da rotina me deram a segurança necessária para estudar sozinha e do meu jeito. 

Nada disso, no entanto, pode funcionar para você. Por isso quis escrever esse depoimento, compartilhar o que deu certo, mas, principalmente, dizer para construírem e confiarem no seu próprio jeito de estudar, no seu material e no que vem te acompanhando até aqui. Se nada parece dar certo ou se você não sabe como estudar, não tema dar um passo atrás. Informações qualificadas sobre como identificar erros, como fazer resumos e técnicas de estudo, você encontra aqui e no blog do Júlio César. Dê uma boa olhada e isso não será perda de tempo. Estudar com confiança irá refletir diretamente no seu resultado (e no seu humor para estudar).

Se ficou alguma dúvida ou tenha algo que queiram saber, deixem nos comentários que eu verei e responderei.

Comecei esse texto falando sobre a chegada de momentos importantes e aguardados, mas quero terminar dizendo que o início de tudo está no estudo, na dedicação para uma causa e na trajetória diária de pessoas que querem mudar a própria vida e contribuir positivamente na realidade da sociedade em que vivem. Como me disse uma amiga, esse sonho é um sonho grande e quem sonha grande também passa por muitos desafios, é preciso muita garra. Lembrem-se que o presente é o começo, o início de uma história que será de muito trabalho. Desfrute o caminho.



Conheço vários aprovados para os quais a parte mais difícil era a vida de concurseiro; e que, depois de tomarem posse, com diversos desafios...


Conheço vários aprovados para os quais a parte mais difícil era a vida de concurseiro; e que, depois de tomarem posse, com diversos desafios, muitos dos quais invisíveis do ponto de vista anterior, passaram a achar que a vida de concurseiro era melhor.


No mundo dos concursos (e fora dele), muitas vezes apresentamos a tendência de diminuirmos a nossa experiência e de hipertrofiarmos a experiência alheia. A convicção sobre o outro, no entanto, é um luxo para quem apenas observa. 


Machado de Assis, no poema "Círculo Vicioso", ilustrou como a insatisfação com o que se é e o desejo de se tornar outra coisa é, na verdade, infinito:



Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:

— “Quem me dera que fosse aquela loura estrela,

Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”

Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:


— “Pudesse eu copiar o transparente lume,

Que, da grega coluna à gótica janela,

Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!”

Mas a lua, fitando o sol, com azedume:


— “Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela

Claridade imortal, que toda a luz resume!”

Mas o sol, inclinando a rútila capela:


— “Pesa-me esta brilhante auréola de nume…

Enfara-me esta azul e desmedida umbela…

Por que não nasci eu um simples vaga-lume?”



Diz o candidato: "então, nesse caso, Excelência, ehrr...tem que ver o que ele queria quando atirou...".  Ao que o examinador indag...




Diz o candidato: "então, nesse caso, Excelência, ehrr...tem que ver o que ele queria quando atirou...". 
Ao que o examinador indaga: "o senhor está querendo dizer que deve ser aferido o elemento subjetivo do agente à luz da contemporaneidade? É isso?"
"Sim, Excelência", responde-lhe, de imediato - e aliviado -, o candidato.
"Pois bem. E o que é analisar com base na contemporaneidade? Afere-se a conduta? O resultado? Como a doutrina trabalha essa questão?" - insiste o examinador, porque percebeu o solecismo inicial e, muito provavelmente, um ponto de desconforto do candidato. O teste emocional vai se aprofundar aqui!

O "solecismo" é um termo utilizado para significar a violação de norma de sintaxe ("houveRAM alterações no CPP que foram objeto de discussão no STF..."). No entanto, autores clássicos (Aristóteles e Quintiliano, por ex.) e atuais (como José L. Fiorin - trecho citado) incluem também, dentro do alcance do "solecismo", o discurso com terminologia rudimentar ou inculta. 

Dentro da divisão da retórica, a elocução (ou, de forma mais simples, o português) é extremamente relevante na comunicação e, portanto, na prova oral. Muitas vezes, não percebemos o prejuízo, afinal, a resposta está certa. Falei bem, com boa dicção e gestual fluido. Mantive contato visual. Não errei o português. Mas a construção terminológica comunica uma impropriedade técnica ou pobreza elocucional. E isso transmite uma reputação atécnica ao orador (um "ethos desfavorável" diante de auditório - que não é leigo - que vai valorizar o aparato técnico do candidato).

Não é à toa que muitos editais valoram explicitamente o "português" e o "uso adequado do português". 

Nesse cenário, é importante dosar as habilidades para, por exemplo, não sobrecarregar a preocupação com a oratória e, com isso, revelar-se um candidato desequilibrado na elocução, com solecismos em excesso.