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Postei no YouTube a arguição do @thiago.sacchetto, aprovado em 2 lugar geral do MPMG e MPF (ambos concursos de 2023). Thiago foi, na ocasião...


Postei no YouTube a arguição do @thiago.sacchetto, aprovado em 2 lugar geral do MPMG e MPF (ambos concursos de 2023). Thiago foi, na ocasião, o primeiro a ser arguido e no primeiro dia. Vale a pena assistir: Thiago demonstrou um conteúdo e jogo de cintura muito acima da média, mesmo em arguição bem difícil!

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 O teatro tem relação umbilical com a oratória. Na Grecia Antiga, o logógrafo era aquele profissional que escrevia discursos. No meio forens...


 O teatro tem relação umbilical com a oratória.


Na Grecia Antiga, o logógrafo era aquele profissional que escrevia discursos. No meio forense, foi o embrião da advocacia (não custa lembrar que a origem da arte retórica remonta a disputas possessórias em tribunais, com o sofista Corax, no seculo VI a.C.). Em Atenas - voltando ao logógrafo -, a parte “da relação de direito material” é que devia discursar; só era possível, então, delegar ao logógrafo uma parcela do discurso: o que falar (inventione), em que ordem (dispositio) e com qual elocução (elocutio). A proclamação (actio), por sua vez, ficava por conta da parte. Terceirizava-se o roteiro da peça; não, porém, a atuação.


O maior exemplo histórico é a própria Apologia de Socrates (399 a.C.), o famosíssimo discurso de defesa diante da acusação de cultuar outros Deuses e de corromper a juventude: Lisias, sofista, sugeriu um discurso (rechaçado por Socrates). No entanto, aceitando ou não, cabia a ele, Socrates, sustentar oralmente, tal como ocorreu.


Nesse contexto, a parte, nos limites da capacidade performática e, portanto, nos limites do que soaria natural, discursava. Mas, para além da naturalidade, outra preocupação era com a adequação do personagem (kairos), ou seja, com um orador que demonstrasse indignação em discurso irado; comiseração em discurso piedoso; serenidade em discurso técnico. Na prova oral, um personagem é esperado pela banca: alguém natural, assertivo e que transmita equilíbrio emocional. Mais racional; menos passional. Mais sereno; menos colérico. Um juiz. Um promotor. Não um político. Nem um professor. Tampouco um locutor esportivo. Incorporando aos poucos esse personagem desejado, o orador passa a agir, com naturalidade, como se fosse ele: coimplicam-se a naturalidade e a adequação. 


Assim, ao candidato da prova oral (mesmo sem ter feito aula de teatro), eis uma boa metáfora pedagógica: viva tão intensamente o personagem adequado a ponto de os sentimentos dele serem os seus! 


 






 

Da mesma que há adversários diferentes no esporte, na comunicação - e, portanto, na prova oral - há diversas variáveis. Adversários que atac...


Da mesma que há adversários diferentes no esporte, na comunicação - e, portanto, na prova oral - há diversas variáveis. Adversários que atacam mais. Adversários que defendem mais. Muitas vezes, por meio dos treinos, um candidato vicia-se com um estilo (por ex., com um “examinador” que deixa introduzir as respostas), mas, na prova oral, pode ser surpreendido com um examinador que interrompe introduções e pede, constantemente, objetividade. Um examinador que, em última análise, demanda um raciocínio a queima roupa. Nesse sentido, a lição de Quintiliano é ainda mais relevante: um bom orador, antes de tudo, é portador da capacidade de adaptar-se a cenários distintos.