Trajetória nos concursos - Lorany Serafim Morelato

By | janeiro 17, 2020 Leave a Comment



Trago hoje a trajetória de Lorany Serafim Morelato (@loranymorelato), aprovada em primeiro lugar do TJPR (concurso encerrado em 2019)! Fico muito feliz de ver o êxito de pessoas cuja trajetória pude acompanhar no início. Fui monitor de Teoria Geral do Direito da Universidade Federal do Espírito Santo, época em que Lorany era estudante do 2º período, integrante de uma turma que se destacou muito na UFES. Paralelamente a isso, Lorany tem enormes habilidades construídas, como a atuação no teatro, o que, sem dúvida, ajuda(ou) muito mesmo na fase oral!

E o que acho interessante em termos de método - porque ainda é muito incomum - é a utilização da forma oral como forma de revisar. Às vezes fazer o simples (como explicar o básico de um tema) é o mais difícil: pressupõe um sólido domínio e contextualização dos assuntos. E a exposição oral ajuda a perceber os "gaps"... além de ser uma interessante forma de quebrar a monotonia da revisão/feitura de questões, viabilizando até mesmo a simulação com algum colega de estudos.

Agradeço muito pelo depoimento, @loranymorelato, e também pelas palavras sobre a experiência no curso de prova oral! Muitas felicidades!  



Quando recebi o convite do Júlio, querido professor e colega de universidade que tive o prazer de rever no curso para a prova oral, um misto de emoções me tocou. Ao mesmo tempo que sonhei anos por aquele momento, parecia que me faltavam palavras para descrever tudo que estava sentindo. Além disso, fiquei com medo de não exprimir corretamente os meus sentimentos para aqueles que estão na mesma jornada e que torço, sinceramente, que persistam firmes e não desanimem!
Bem, vamos lá. Tomei posse no dia 29/11/2019 como Juíza do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. Fui aprovada em primeiro lugar no concurso, na prova oral e na fase de discursivas. Mas no caminho tive reprovações, desânimos, apoios e resiliência que vou compartilhar com vocês!
Ingressei no curso de direito em 2008, na Universidade Federal do Espírito Santo. Estudava com disciplina na faculdade, fui monitora de direito penal e formei com o coeficiente de rendimento de 9,51. No quinto período, passei a estagiar no Juizado Especial Cível, momento em que começou a surgir em meu coração o sonho pela magistratura. Trabalhei no apoio ao gabinete e, concomitante, estudava para concursos de técnico e analista de tribunais. O meu objetivo era passar em um concurso para me manter enquanto estudava para magistratura. 
Sempre fui estimulada a estudar e a ajudar o próximo e, com essa mentalidade, tudo o que pude fazer para me devolver nos estudos, eu fiz. Fiz o ensino médio no CEFETES, e estudei arduamente para passar na UFES.  
Tenho plena consciência que o estudo foi o bem mais precioso que os meus pais me proporcionaram e, por isso, sentia uma necessidade muito grande de recompensá-los pela boa vida e pelo amor e carinho que recebia deles, do meu querido irmão Lucas (que me acordou em muitas madrugadas para estudar), dos meus avós e da minha tia Eliziana Lima Serafim, in memoriam, e da minha prima Thaís! 
Em continuidade, no dia 09/09/2013, colei grau antecipadamente na UFES para assumir o cargo de assessora de Juiz de Direito no Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo, cargo em que permaneci até 16/03/2015. 
Conciliei o trabalho na assessoria com os estudos para os concursos de Analista de Tribunais, na busca por um cargo efetivo, com estabilidade, para perseguir nos estudos para a magistratura. 
Aprendi muito como assessora da Vara da Fazenda Pública Estadual e era estimulada pela minha chefe a perseguir nos estudos para a magistratura. 
Fui nomeada para o cargo de Técnica Judiciária do TRF2, em março de 2015. Assumi o cargo e fui, em razão da experiência pretérita, lotada no gabinete da 2ª Vara Federal de Cachoeiro de Itapemirim-ES. A partir da minha posse como técnica, resolvi aprofundar nas matérias de direito público e com o foco primordial no trabalho, para me adequar à realidade da Justiça Federal. 
Fui nomeada como Analista do TRT2, em 2016, todavia, optei por permanecer na Justiça Federal, pois estava muito integrada à equipe e criando uma rotina saudável de estudos.  
Consigno que, concomitante ao direito, sempre gostei de atividades culturais, fiz teatro por muitos anos, o que ajudou na prova oral. Em julho de 2016, apresentei um projeto de Teatro, que havia me dedicado, com afinco, com uma querida amiga desde 2014. Nesse período, a minha tia (Eliziana) e grande apoiadora já havia falecido, mas carreguei no coração as palavras dela de que eu seria uma excelente atriz e uma excelente Juíza e fui em busca de cada uma dessas coisas. 
Após me realizar no teatro, percebi que permanecia incompleta e a vontade pela magistratura realçou ainda mais quando completei os três anos de prática jurídica, em setembro de 2016. Conversei com minha família e com meu namorado, meus principais apoiadores, e iniciei, no fim de 2016, os estudos para a magistratura. 
Tenho eterno agradecimento ao meu namorado, Diogo, pelo apoio incondicional nos meus estudos, por ver em mim uma magistrada, acreditar no meu potencial e contribuir para meu foco e disciplina, com preciosos planejamentos. 
Bem, nesse início, desfiz todas a minhas redes sociais (escolha pessoal, em razão da minha necessidade de focar exclusivamente nos estudos), e passei a conciliar os estudos com a assessoria na Justiça Federal. Meus planejamentos eram feitos com o Diogo, que dividia as horas por matérias, evitando que eu ficasse mil horas em um mesmo tema. 
A princípio, fiz concursos direcionados para a magistratura federal, até pelo estímulo recebidos dos meus colegas de trabalho da 2ª Vara Federal de Cachoeiro de Itapemirim. 
Em março de 2017, fiz minha primeira prova objetiva para o TRF2, fiquei reprovada por três pontos. Senti que estava no caminho certo, mas ainda no começo dos estudos e com muita coisa para aprender. 
No meio do ano de 2017 saiu o edital do TRF5. A sensação era de que eu não havia estudado metade das matérias necessárias. Mas acreditei e fizemos um planejamento direcionado. Foquei três meses intensos, com uma forma nova de estudar, e passei entre os quinze primeiros colocados na prova objetiva do TRF5. Mas reprovei na discursiva. No TRF3 e TRF2, que vieram após o TRF5, também reprovei na fase das discursivas. 
Passei por período de intensa tristeza e desamino, diante das reprovações. Como forma de superação, força e resiliência, resolvi voltar as minhas raízes na Justiça Estadual. Passei a estudar as matérias que tinham baixa incidência na Justiça Federal (ECA, Eleitoral, Família e Sucessões). 
Como um verdadeiro presente de Deus, logrei êxito na aprovação na primeira fase do TJPR, TJSC e TJAC. Passei em primeiro lugar na discursiva, na prova oral e no concurso do TJPR.
Acredito que o retorno à esfera estadual é um presente e uma vocação concedida por Deus e de Nossa Senhora das Graças!
Por fim, refleti sobre o que me fez lograr êxito na aprovação em exatos três anos de estudos. Conclui que foi a dedicação na faculdade e no trabalho, com amor pelo Direito, a adoção de métodos de estudos repetitivos e direcionados. 
Sob o aspecto subjetivo, o que me moveu nesse período foi a vocação, o compromisso, a vontade e a fé inabalável de que eu alcançaria o meu objetivo, apesar das incertezas do caminho. Sentia uma força grande interna que me fazia estudar em meio aos compromissos e a virar noites de estudos, com a recusa de entregar os pontos e perder algo que era tão importante para mim.   
No aspecto mais pragmático, eu estudava para todas as etapas, predominantemente, de forma oral, por isso não conseguia estudar em salas de estudos compartilhadas. Era um método exaustivo, ficava quase sem voz no final do dia, mas era muito efetivo para a memorização das matérias, até para as objetivas; os especialistas dizem que é a forma de aprendizado mais eficiente. 
Mantinha uma rotina diária de estudos pela manhã e noite, e trabalho à tarde. Alguns dias não conseguia estudar à noite, em razão do cansaço do trabalho. Assim, dormia cedo (por volta das 20 horas) e acordava de madrugada (3 ou 4 horas da manhã), quando a mente estava limpa para estudar - fiz isso diversas vezes. Além disso, intensificava nos finais de semana e feriados.
Quase sempre pedia férias em véspera de provas e estudava 15 dias na máxima performance possível: revisão geral de uma matéria por dia, colocando as mais importantes – que caiam mais questões - perto da prova. Já cheguei a fazer 73 horas líquidas em uma semana. No total foram 3.623 horas líquidas até a aprovação. Cronometrar me dava disciplina e foco, mas é algo individual.

Quanto às etapas dos concursos, o método que indico fortemente é a realização questões pretéritas, tanto na objetiva quanto nas discursivas. É importante também ser pragmático nos planejamentos, dividindo as horas disponíveis de estudos por matérias, de forma racional e não sentimental (pelas matérias que mais gosta). Comece no tempo que tiver disponível, ainda que seja uma hora por dia! Percebi que a constância é mais importante do que a intensidade!
Ademais, para a prova oral, sempre é produtivo praticar em frente ao espelho, simulando a prova com seriedade. Ler questões pretéritas e falar tudo que vem à mente. Criar perguntas e imaginar-se em situações de constrangimento, observando a reação no espelho para manter o rosto neutro e confiante. Para mais dicas indico, fortemente, o curso do Júlio: técnicas diferenciadas, confiança e atendimento personalizado. Fiz icebergs, tsunamis, marés e muitas outras técnicas que aprendi com o Júlio na minha prova oral. 
Por fim, posso afirmar que fui aprovada no período em que mais estive desapegada, me dedicava a atividade física, meditação e oração e, aparentemente, estudei menos horas líquidas nesse período, mas já tinham sido muitas horas pretéritas. 
Espero de alguma forma ter contribuído com o meu depoimento e a experiência que vivi nesses anos. De fato, não é fácil, mas desejo a todos que estão nessa caminhada que sejam fortes e corajosos!! Temos dentro de nós todas as potencialidades necessárias para realizarmos aquilo que queremos. E contem com os amigos e professores, como o Júlio Cesar, que potencializam as nossas aptidões de forma tão gentil e por liberalidade. 


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