O papel do ritual - Por Samyra Bernardi

By | maio 21, 2019 Leave a Comment


Hoje trago o texto da amiga Samyra, Juíza do TJRS. O relato demonstra a importância do ritual: facilita a organização do raciocínio (como ocorria com Guga ao comer bananas), cria "gatilhos" (associação de condutas, tais como a hora de estudar ou de retomar, de modo a "automatizar" o processo de tomada de decisão com certa independência do gatilho da "vontade") e gera eficiência. Há um pequeno documentário do Kobe Bryant ("O preço da grandeza"), no qual ele fala, dentre outros assuntos, da rigorosa rotina que ele tinha de analisar, lance por lance, seu desempenho após cada jogo: "é excitante quando você perde e quando você ganha porque o processo deve ser exatamente o mesmo. Você, ganhando ou perdendo, deve voltar e procurar que você poderia fazer melhor". Obrigado, Samyra!

Eu sempre comparei a rotina de concurseiro à vida de um atleta. Que tem que treinar incessantemente, às vezes até a exaustão física e mental, sempre com objetivos específicos. Em regra, o sonho de um atleta profissional é chegar à olimpíada, cuja preparação dura um ciclo de 4 anos. Nesse meio tempo, várias competições, vários desafios.

Aí, no meio da minha preparação, duas entrevistas me marcaram muito. Uma, do Oscar Schmidt falando que para ser chamado de "mão santa" teve que treinar muito. Que treinava quando todo mundo tinha parado. Que treinou mesmo quando quebrou a mão direita - treinou tanto que ficou bom com a mão esquerda. Isso me mostrou que não existe esse milagre de conseguir algo sem esforço.  Todo mundo sempre cai naquela história do "estudou pouco e passou".

Mesmo as pessoas que passam rápido e são consideradas geniais - e nós dois conhecemos algumas assim, não é? - não nasceram sabendo e também tiveram que se esforçar muito e abdicar de muitas coisas. Provavelmente, mais cedo que a maioria. São pessoas extremamente inteligentes? São. Mas não existe milagre nem para eles. Ninguém nasce sabendo. Não adianta se iludir e, com isso, baixar sua autoestima por achar que nunca vai conseguir se igualar a eles.

A questão é saber equilibrar para que as abdicações não se tornem sacrificantes em excesso. E esse é o maior desafio de concurseiro, concursados, empreendedores, de pais e mães.. Todo mundo passa por isso em cada fase da vida. O dia em que alguém descobrir a fórmula mágica para isso, a venda de ansiolíticos vai reduzir drasticamente hahaha

A outra entrevista que me marcou foi uma do Guga à Fátima Bernardes em que ele a "ensinava" como jogar tênis. No meio, ele parou para comer uma banana e a Fátima lembrou que nos intervalos dos jogos ele sempre comia banana. Eu esperava que ele fosse falar algo sobre a importância do potássio ou algo do tipo. Mas ele falou da importância de ter um ritual.  Comer a banana no intervalo, para ele, era um ritual. Então, quando estava tudo dando errado, ele parava para comer e, naquele momento, as coisas corriam como planejado. E ele conseguia pensar, observar o que estava acontecendo, e mudar a estratégia.

E, assim como os atletas, também acho importante o concurseiro ter um ritual. Seja organizar a mesa antes de estudar, rezar antes de começar a prova, a hora de comer o chocolate..
Às vezes, aquela "mania" que você tem nada mais é que um porto seguro que te ajuda a organizar a cabeça, como se fosse um aviso ao cérebro de "agora é hora de estudar" ou "agora é pra valer" ou "descansa um pouquinho pq agora vc precisa prestar atenção".

Enfim, falei demaaaais, mas, em resumo, o que eu queria dizer é: tenha disciplina pq sem ela não se vai a lugar nenhum na vida, reconheça e valorize suas pequenas vitórias e estabeleça seus rituais. Organize sua cabeça e fique em paz com suas escolhas. Tenha a consciência de que cada escolha é uma renúncia, mas cada uma delas vai fazer sentido quando chegar ao seu objetivo. Pelo menos eu sequer consigo descrever a felicidade que eu senti a acredito que seja assim com todos.


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