Trajetória nos concursos - Por Chaiane Bublitz

By | dezembro 28, 2019 Leave a Comment




Trago hoje a trajetória de Chaiane Bublitz, aprovada para juíza do TJSP (concurso 188, encerrado em 2019). O relato evidencia o drama de muitos concurseiros: a dificuldade financeira. Nesse contexto, a saída encontrada por Chaiane foi a busca de um cargo meio, que é uma saída mais imediata para dar segurança no presente e no futuro. Não são poucos os aprovados em carreira de membro que ocupam cargo de técnico ou analista, mesmo de órgão diverso, como é o caso da Chaiane (na justiça trabalhista)! Vale a pena registrar ainda a não romantização da jornada! Como bem disse a Chaiane: "Um dia, lá na frente, tudo passa a fazer sentido e percebemos que as dificuldades não são parte do caminho, elas são o caminho". Parabéns pela jornada e obrigado pela confiança e palavras, Chaiane! 

Querido Júlio, falarei do meu “antes”, pois já existem aqui tantos excelentes posts com técnicas de estudo, que pouco eu poderia acrescentar. E, principalmente, quero falar para quem tem origem humilde, como a minha, para mostrar que nenhum sonho é posto no nosso coração para nos causar sofrimento, mas alegria, ainda que sejam muitas as dificuldades.

Nasci no interior do Paraná em uma família muito humilde. Cada dia vivíamos uma luta para conseguir ter acesso ao básico. Estudei em escola pública, e trabalhei desde nova como secretária. Lembro-me do meu emprego há muuuitos anos, como recepcionista: ganhava 180,00 reais - que alegria imensa era poder conseguir “escolher” uma roupa para comprar, um luxo para quem usava só o que ganhava... 

Depois, consegui cursar Direito com uma bolsa integral, perto de casa, porque, embora aprovada em algumas federais, morar fora, sem condição financeira alguma, não era uma opção... Já na faculdade, nasceu em mim, durante o estágio, o sonho da magistratura estadual. Devo muito isso à minha avó, que sempre me fez acreditar nos sonhos. Mas, como concretizar algo que parecia tão distante da minha realidade? Tracei um projeto: iria, primeiro, passar em um concurso menos distante naquele momento, pois precisava sobreviver após a faculdade! 

E assim foi. Para esse concurso, comprar livros era muito difícil, então comprei os que conseguia e os demais eram emprestados... Passada essa fase, já estabilizada na Justiça do Trabalho, o sonho ficou adormecido por alguns anos, mas nunca esquecido, e, em 2016, senti que era, finalmente, hora de voltar ao projeto antigo.

Nesse tempo todo de estudos, foram muitas reprovações... Às vezes nós só lemos o “depois” dos aprovados, e não pensamos que existiu um “antes”, doído e necessário. Um dia, assisti um vídeo em que o jornalista falou ter entrevistado um jogador de futebol machucado, e, naquele jogo, ele havia feito pontos. O jornalista perguntou como ele conseguiu, estando naquela situação, e o jogador disse: “às vezes, você tem que jogar com dor”. 

Na nossa vida, também é assim. Quase sempre, não podemos esperar as condições certas para começar a jogar. Temos que jogar do jeito que estamos. Um dia, lá na frente, tudo passa a fazer sentido e percebemos que as dificuldades não são parte do caminho, elas são o caminho. Para a prova oral, por exemplo, eu sentia muito temor, e, nisso, receber os ensinamentos e encorajamento do Júlio foi uma grande bênção, a quem serei sempre grata. 

É essa a mensagem que eu quero passar para quem está nessa jornada. Não desista dos sonhos que existem no seu coração. Fortaleça-se no amor daqueles te amam, da família, dos amigos. Não tema se você tiver uma história difícil, ou dificuldades financeiras... Faça um plano concreto para realizar seu sonho, ainda que você precise subir degrau por degrau de uma longa escada. Não espere as condições certas para começar ou continuar.

E, se você estiver com dor, lembre-se: às vezes, você precisa jogar com dor.

Eu prometo que valerá a pena.


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