Trago hoje a emocionante trajetória de Izabella Trad, que, com 48 anos, 4 filhos e trabalhando, depois de várias reprovações, obteve a aprov...

Trajetória nos concursos - Por Izabella Trad

By | agosto 25, 2021 1 comment


Trago hoje a emocionante trajetória de Izabella Trad, que, com 48 anos, 4 filhos e trabalhando, depois de várias reprovações, obteve a aprovação para o cargo de Juíza do TJMS! Com pouco tempo de estudo e muito sacrifício, Izabella foi aos poucos se aproximando de seu sonho, após 7 anos de preparação intensa. Como ela bem disse, “não se preocupe com as horas líquidas de estudo ou métodos mirabolantes. O método bom é o que funciona para você, para o seu estilo de vida. Confie que a disciplina e a constância construirão o conhecimento e a maturidade necessários à aprovação.” Tenho certeza, Izabella, que o seu relato servirá como um alento para muita gente, afinal, como você bem disse, "a vida se renova a cada amanhecer. E, como entoa Milton Nascimento, sonhos não envelhecem”. Parabéns, Izabella! E agradeço muito pelos elogios! 

Meu nome é Izabella Assis Trad, tenho 48 anos, 4 filhos, e, hoje, estou aprovada no concurso da magistratura do meu Estado, Mato Grosso do Sul. Iniciei minha trajetória no mundo dos concursos no ano de 2012, aproximadamente 18 anos após minha graduação em Direito e afastada da área. Meu objetivo, desde que decidi pela carreira pública, foi ser aprovada em meu Estado, especialmente, porque meus filhos, alguns já maiores, não poderiam estar comigo em outros Estados.

Fui aprovada, ainda em 2012, para Analista Judiciário do TJMS e, em 2013, para Técnico Judiciário do TRE/MS. Entretanto, foi a partir do ano de 2015, 8 meses após o nascimento de meu 4º filho, que passei a me dedicar aos estudos para a magistratura, carreira que, desde a época da faculdade, me fascinava. Então, em abril de 2015, amamentando meu filho, e trabalhando junto à Secretaria Judiciária do TJMS, foi publicado edital para o concurso da magistratura desse Tribunal. Embora soubesse que ainda seria cedo para uma aprovação, ousei me inscrever para o certame, obtendo aprovação na primeira etapa. Todavia, reprovei nas discursivas. Lembro-me que, enquanto fazia as provas de sentença, pensava: “meu Deus, é isso que quero fazer na vida!” A magistratura, a partir daí, tornara-se, para mim, um sonho. Em 2016, após a reprovação na segunda etapa do TJMS, fiquei um período sem fazer provas. Dediquei-me à formação da base para que eu pudesse avançar nos certames, passando a estudar, diariamente, obras jurídicas destinadas a concursos públicos, de todas as matérias constantes do edital da magistratura. No final de 2016, fui aprovada na primeira fase do concurso da PGE/MS, porém reprovada na fase subsequente do concurso. Em 2017, ano difícil e de luto, porque perdi meu pai (meu grande incentivador nos concursos), fui aprovada para a segunda etapa do concurso para a magistratura do TJPR. Mais uma vez, no entanto, reprovei na prova discursiva e não tive minhas sentenças corrigidas. Em 2018 e 2019, fiz provas de magistratura nos Estados de São Paulo e Minas Gerais, porém, não consegui ser aprovada nas objetivas. Durante esse período, o medo de jamais ser aprovada novamente em uma prova objetiva tomou conta de mim. Passei, então, a me dedicar, com mais afinco, ao estudo de lei seca e à resolução de questões, sem descuidar da leitura dos meus grifos nos livros e, logicamente, da jurisprudência, no site do dizer o direito. Eu me preocupava, porque não conseguia estudar mais do que três horas por dia, durante a semana. Afinal, sempre trabalhei de 6 a 7 horas diariamente e meus filhos necessitavam da minha presença, principalmente o mais novo. Mesmo assim, perseverei nos estudos, com as três horas líquidas diárias de que dispunha. Aos fins de semana, conseguia estudar mais um pouco. Deu certo! Em 2020, fui aprovada para a segunda fase do concurso da magistratura do TJMS, em prova elaborada e aplicada pela FCC (Fundação Carlos Chagas). Estudei muito os examinadores da Banca (FCC), suas preferências temáticas e posicionamentos jurisprudenciais, treinando questões discursivas diariamente. Fiz cursos de sentença, para desenvolver a técnica na elaboração das peças, embora já praticasse em meu trabalho. A aprovação veio! Finalmente, havia chegado na tão esperada prova oral! Sabia que apenas uma preparação em alto nível me levaria à aprovação. Nessa etapa do concurso, os candidatos estão, todos, do ponto de vista técnico-jurídico, muito preparados, o nível de conhecimento é muito semelhante. Portanto, a oratória, a estruturação da resposta, a segurança e a maturidade emocional, a meu ver, são diferenciais perante a Banca. Fiz o curso de retórica do professor Júlio César Almeida, para cujo perfil, com prazer, trago esse relato. As aulas do Júlio foram um divisor de águas em minha preparação. Foi com ele que aprendi a estruturar uma resposta, a me comportar perante a Banca e a usar corretamente os protocolos para as situações em que não se tem precisão da resposta. Foi Julio, também, que me fez acreditar em meu potencial para fazer uma boa prova oral. Além disso, fiz simulados com outros bons profissionais e treinos, três vezes por semana, com os colegas. Eu me encantei com essa etapa da preparação. A prova oral é uma grande oportunidade de demonstrar ao examinador a sua capacidade de resolver questões práticas e de lidar com imprevistos. Ainda, fiz acompanhamento psicológico com a excelente profissional Juliana Amaral, o que foi essencial na regulação de minhas emoções. Graças a Deus, após quase 7 anos de preparação intensa, fui aprovada na prova oral da magistratura do TJMS. Se hoje pudesse dar um conselho àquela Izabella de 7 anos atrás, diria: “não se preocupe com as horas líquidas de estudo ou métodos mirabolantes. O método bom é o que funciona para você, para o seu estilo de vida. Confie que a disciplina e a constância construirão o conhecimento e a maturidade necessários à aprovação.” Sempre tive comigo que, quando fosse aprovada, um de meus propósitos, a partir de então, seria, através de meu testemunho, estimular pessoas a lutarem pelos seus sonhos, sobretudo aquelas que, como eu, iniciaram a trajetória após os 40 anos. Esse momento chegou, com a graça de Deus! Por isso, colegas, humildemente, digo a vocês: “Sempre dá tempo. A vida se renova a cada amanhecer. E, como entoa Milton Nascimento, sonhos não envelhecem”

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu“ ( Eclesiastes 3-1)




 

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