Trajetória nos concursos - Por Paulo Rodrigo Pantusa

By | novembro 21, 2020 Leave a Comment

 







Trago hoje a trajetória de  Paulo Pantusa (@paulo.pantusa), aprovado para juiz do TJBA com 45 anos, após 8 anos de estudo para concurso! A jornada do Paulo é diferente do habitual: fez uma vida na advocacia e na academia, com mestrado em Direito Empresarial! Até brinquei com ele no curso de prova oral - aproveito para agradecer pelos elogios, ainda mais vindo de alguém experiente com o magistério - que ele acabou por esgotar meu estoque de perguntas que ninguém sabe (exatamente de direito empresarial)!! Embora o espaço aqui seja curto para detalhar toda a trajetória, faço questão de destacar a superação do Paulo, que, no seu instagram, lembrou da trajetória humilde, do trabalho como atendente no McDonalds! Certamente, Paulo, você irá inspirar muita gente! Parabéns, meu amigo! Muitas felicidades na nova carreira! 

Minha história no mundo dos concursos é um pouco diferente das que vocês devem estar acostumados a ler, mas a pedido do professor e amigo Júlio César trago o meu relato sobre essa fase. Espero que possa acrescentar algo.
Comprovando que vai ser um relato muito peculiar, informo aos leitores que fui aprovado com 45 anos de idade (o que demonstra que nunca é tarde para se correr atrás dos seus sonhos), bem como passei mais de 8 anos estudando para alcançar esse objetivo (o que comprova a máxima tão falada, mas verdadeira, que quem não desiste passa), além de ter feito mais de 30 provas de magistratura por este imenso e maravilhoso país. Quis Deus que eu passasse na Bahia, terra da minha amada avó.
Desde os tempos de faculdade tinha dentro de mim a vontade de ser magistrado, principalmente quando fiz o meu primeiro estágio no Juizado Especial de Belo Horizonte/MG. Contudo, por obra do destino, pouco tempo depois fui para um escritório de advocacia, deixando esse desejo adormecido. Na advocacia que exerci por vários anos fui muito feliz:
I) Profissionalmente: porque exerci uma advocacia inventiva e extremamente especializada em Direito Empresarial (matéria que eu amo – sempre brinquei falando que se não fosse direito empresarial eu não teria nem me formado, tamanha a paixão. Atuando principalmente na área de falências e recuperação judicial, criei uma das primeiras teses a serem julgadas pelo TJMG, sob a égide da lei 11.101/2005, sobre a continuação do negócio pelo falido, em que o devedor falido, comprovando a sua boa fé e que a quebra ocorrera por situações econômicas dissociadas de má gestão, voltava a exercer a sua atividade empresarial. 
II) Academicamente, porque consegui iniciar a docência em cursos de graduação (o que fiz por mais de 10 anos), angariar subsídios para a minha dissertação de mestrado sobre a Ação Revocatória Falimentar, bem como realizar o sonho de morar e pesquisar sobre Direito Empresarial em outro país, o que fiz morando em Florença/Itália por um período, e frequentando a “Università degli studi di Firenze” e a “ordine degli avvocati di Firenze”.  
Entretanto, em julho de 2012, a sociedade de advogados da qual fazia parte chegou ao fim, levando-me a enfrentar um grande dilema: voltava a exercer a advocacia em uma outra sociedade, com outros sócios, ou atuava sozinho na advocacia? Nenhuma dessas opções tocaram fundo no meu coração. Aquele desejo adormecido de ser magistrado voltou com toda a força. Era uma oportunidade que a vida estava me dando para concretizar um desejo antigo, rever e viver um grande sonho (amor) do passado, que era a magistratura. E foi assim que entrei no mundo dos concursos, depois de mais de 10 anos de formado.
Sinceramente, imaginei no início da caminhada que passaria rápido, que seria aprovado com pouco tempo por ter experiência de estudo com o mestrado, ser professor e falar bem em público, além de ter sido muito atuante tecnicamente na advocacia. Esse talvez tenha sido um dos maiores erros na minha preparação, dentre outros. 
Confiei no meu histórico e estudava apenas por doutrinas pesadas, sem fazer exercícios de primeira ou segundas fases, e sem fazer estudos diferentes para fases distintas do certame. Via o concurso como uma coisa só. Hoje vejo que esse método não tinha como dar certo.
É fato que os concursos estão cada vez mais concorridos, e que o candidato deve ser estratégico (cirúrgico) na sua preparação, fazendo um estudo específico para a primeira fase, outro para segunda fase com as discursivas e sentenças, bem como outro para a prova oral. Embora se trate do mesmo concurso, cada fase exige uma preparação própria por cobrar uma habilidade específica.
E falando em fases, gostaria de destacar a fase oral, ressaltando a importância do treino e de pelo menos um curso específico para essa fase. Eu fiz um acompanhamento com o Prof. Glesan (acredito que alguns de vocês o conheça) e também fiz o curso do amigo e professor Júlio César. 
Sobre o curso do Júlio, confesso que quando cheguei em São Paulo para fazê-lo eu não estava muito animado, porque tinha deixado minha amada esposa e minha filha de apenas 10 dias de vida em casa sozinhas. Pensei que não ia me concentrar e conseguir absorver muita coisa, já que o pensamento estava em casa. Ainda bem que me enganei redondamente. Desde o primeiro minuto fiquei fascinado com a didática e o conteúdo do curso, que aliou uma excepcional teoria da argumentação (falando sobre Aristóteles e os Sofistas, passando pela tópica, dentre outros temas relevantes) até chegar na parte prática, simulando diferentes tipos de examinadores (o sem educação, o que faz cara de paisagem, o que te interrompe a todo momento), valorizando os seus pontos fortes e minimizando as suas deficiências, além de extirpar com técnicas eficazes o medo que acredito ser de todos nessa fase, que é o de dar branco e ficar paralisado sem responder.
Sem medo de errar, posso falar para que o curso do Prof. Júlio é um dos melhores cursos para a prova oral disponíveis, se não for O MELHOR.
Como vocês perceberam, não procurei me aprofundar demasiadamente em técnicas de estudos, já que cada um tem a sua, e o próprio Júlio dá ótimas dicas sobre essas técnicas em seu Instagram. Procurei apenas contar um pouco da minha história para que possa de alguma forma ajudar os colegas. Se este relato conseguir atingir pelo menos um concurseiro, acredito que este depoimento terá cumprido a sua missão. 
Que Deus ilumine o estudo e o caminho de todos.
Grande abraço, Paulo Pantusa.











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