Trajetória nos concursos - Marco Antônio M. F. Custódio

By | abril 03, 2020 1 comment





Trago hoje a trajetória de Marco Antônio Custódio, aprovado em 4º lugar do MPSP (Concurso 93). A jornada do Marco Antônio é bem interessante, porque evidencia bastante a importância da persistência. Do ânimo de quase alcançar a aprovação na fase objetiva ao balde de água fria de reprovação distante do corte na prova seguinte. E isso se verificou também na fase subjetiva: boas notas em vários dias do MPPR e uma reprovação por 1 décimo em um grupo! A persistência envolve saber que o gráfico não é linear, em constante ascendência: a depender do foco da prova, nossa vulnerabilidade fica escancarada! Aproveito também para agradecer ao Marco pelas palavras! Tenho certeza que, com a admiração pela carreira que tem e competência já demonstrada, o MPSP ganha um excelente promotor!



Inicialmente, penso ser importante deixar claro de que não há fórmula mágica, não existe essa história de métodos infalíveis, materiais imprescindíveis. Tudo, em verdade, resume-se a dedicação, treino e, sobretudo, DETERMINAÇÃO. Meu nome é Marco Antônio Martins Fontes Custodio, tenho 26 anos, sou pai, casado, fui estagiário do MPSP e hoje sou analista do MPSP, sendo recentemente aprovado na 4ª colocação do 94ª Concurso para Promotor de Justiça do Estado de São Paulo.



A primeira ideia que gostaria de desconstruir é aquela que praticamente todos (ou ao menos eu) possui quando inicia a jornada para os concursos públicos. É o pensamento de que o concurso público é destinado aos gênios, pessoas que estão acima das outras e estão predestinadas a passar. Isso NÃO existe. Sempre fui aluno mediano/ruim no ensino médio. Cursei faculdade particular sem grande expressão. Peguei DP's, fui a festas, viajei, tive uma vida universitária comum.



No entanto, exatamente no terceiro ano de faculdade, por motivos pessoais e familiares, resolvi que era hora de "dar um jeito" e, então, aquela pessoa que nunca "quis nada com nada" resolveu estudar. Comecei a me dedicar as aulas, comprava doutrinas básicas das matérias principais, fui do "zero" a "dez" em questão de meses. Foi então que prestei o concurso para estagiário do Ministério Público e me apaixonei pela carreira, tanto que resolvi me remover para fazer estágio em uma cidade próxima de vara única, local no qual teria contato com diversos temas afetos a atuação do MP, temas estes que você não costuma ver com a mesma sensibilidade em grandes cidades. Desde então, decidi que seria PROMOTOR DE JUSTIÇA e comecei a traçar o meu caminho.



Neste mesmo ano, por coincidência, abriu o concurso para analista jurídico, eu estava no terceiro ano da faculdade, mas mesmo assim resolvi prestar (e foi a melhor decisão que tomei). Ao chegar em SP, ver tantas pessoas prestando aquela prova, de diversas idades, ver a preocupação e a importância daquela prova para elas, aquilo mexeu comigo, de modo que senti a "seriedade" que é estudar para concurso. Após a prova, apesar da reprovação, eu senti que seria possível passar. Aquelas matérias com as quais eu já tive contato eu conseguia resolver bem. Percebi que concurso público não precisa ser gênio, mas apenas ter um conhecimento razoável de um pouco de tudo. Aqui vai meu primeiro conselho, se você está na faculdade, FAÇA PROVAS, não tenha medo de encarar concursos, isso vai ajudá-lo a amadurecer, fazendo com que você saia na frente de tantos outros quando se formar.



Voltando a rotina normal, seguindo dicas de outras pessoas aprovadas, comprei SINOPSES das matérias básicas e comecei a fazer muitas questões. Isso eu fiz entre o 3 e 5 ano da faculdade, sem uma rotina pesada, mas eu acompanhava as provas, olhava os assuntos da moda, resolvia questões de concursos que estavam sendo realizados, comecei a incorporar o estudo como uma atividade comum no meu dia a dia (2 horas no máximo diárias).



No último ano da faculdade, no meio de OAB e TCC, abriu outro concurso para analista jurídico do MPSP. Eu já me sentia mais preparado, tinha acabado de ser aprovado na OAB com certa tranquilidade e o TCC já estava pronto. Fiz a prova de analista e no dia seguinte soube que fui aprovado na primeira fase por muito pouco. Então resolvi me dedicar, praticamente congelei minha vida social e me dediquei totalmente a 2ª fase do concurso de analista. Foram dois meses de estudo árduos. Consequentemente fui aprovado e tive excelente pontuação. Logo, me formei e, enquanto aguardava minha nomeação como analista, resolvi não perder tempo e cursei um curso on-line de carreira jurídicas. Assistia as aulas e fazia questões sobre o tema dado. Minha preocupação nesse primeiro momento era o de "formar um material".



Em Agosto de 2016 tomei posse como analista jurídico e, então, senti o peso de trabalhar e estudar, mas com o tempo fui me adaptando. Eu assistia as aulas pela manhã (06h às 10h), trabalhava (11h as 19h) e, durante a noite, realizava algumas questões sobre o tema das aulas daquele dia. Poucos meses depois, abriu o concurso do MPPR/2016. Apesar da prova ser bem complicada, resolvi prestar. Reprovei na primeira fase por apenas 3 questões. Fiquei animado, pensei "poxa, nem terminei o cursinho e já estou quase passando, vai ser moleza". Ledo engano. Em 2017 abriu o temido MPMG. Mas eu tinha acabado de terminar o cursinho e já havia começado a revisar meu material, pensei que seria fácil. Bom, tomei uma reprovação daquelas, não fiz nem 50% da prova. Fui HORRÍVEL. Fiquei muito triste e até pensei em desistir. Mas, acredite, é na reprovação que você melhora.



Depois de alguns dias me recuperando, resolvi sentar, abrir minha prova e ver onde eu errei (autocrítica é muito importante). Logo eu percebi que havia acertado o "Estado Vampiro", mas teria errado uma questão simples de LINDB. Conversando com colegas, percebi que chegava a hora de me render aos conselhos e LER A LEI SECA na véspera da prova.



Uma semana depois dessa reprovação, abriu novamente o MPPR 2017. Me recuperei e li praticamente somente a lei seca (durante um mês e meio que antecedeu a prova). Resultado? Fui aprovado com nota bem acima do corte. Perceba que eu saí de uma prova que não tinha feito nem mesmo 50% para outra bem acima do corte, apenas corrigindo meus erros, em questão de poucos meses (e nunca mais fiquei primeira fase).



A segunda etapa, por outro lado, já foi mais complicada. Aqui eu comecei a sentir defasagem em matérias que eu não me dedicava muito além da lei seca (empresarial, civil...), então eu comecei a estudar temas específicos na doutrina, compreender melhor, deixando até PENAL, PROCESSO PENAL de lado, pois essas temáticas eu já tinha certo domínio. Com o tempo, meus resultados na segunda fase foram melhorando, tanto que no MPMG/2018 reprovei por apenas 0,4 em uma matéria.



Nesse ponto, senti que estava pronto para passar, então abriu o MPPR/2019. Eu me dediquei muito. Tirei férias do trabalho (coisa que eu nunca tinha feito antes), comprei os livros dos examinadores, lia, revisava, fazia de tudo. Passei pela primeira com tranquilidade. Só que entre a primeira e a segunda fase, recebi a melhor notícia da minha vida no sentido de que minha esposa estava grávida. Logo, coloquei na minha cabeça que aquela era a chance da minha vida e me dediquei ao máximo. Depois de 5 dias de prova, apesar de tirar notas excelentes em todos os dias (9,0, 10;....) e um dos dias, em uma das minhas melhores matérias, reprovei por apenas 0,1 (acredite). Foi uma decepção. Novamente senti que aquilo não era para mim. Que havia chegado no meu limite. Estava muito desmotivado e pouco tempo depois abriu o 94ª MPSP. Não estava querendo prestar, meu filho iria nascer em poucos meses, era muita coisa para organizar, além de achar que não seria capaz. Minha esposa, grávida de 05 meses, insistiu muito para que eu fizesse a prova (Obrigado amor!).



Então resolvi fazer, fui aprovado na primeira etapa e de novo estava na segunda fase pela 7ª vez. Com pouco tempo para estudar e com o nascimento do meu filho 20 dias antes da prova, eu decidi mudar meu método de estudo. Praticamente eu só treinei para fazer a segunda fase do MPSP. Todos os dias eu resolvi 2 ou três provas discursivas de maneira cronometrada. Esse treino foi essencial, pois quando eu fui fazer a prova eu tive muita tranquilidade e consegui resolver a prova inteira com 5 minutos de sobra (tempo é seu maior inimigo na segunda fase do MPSP). Quando eu saí da prova eu liguei para minha esposa e disse "Eu passei". Depois de alguns meses chegou o resultado e fui aprovado com a 2ª melhor colocação na discursiva.



Note que a cada prova eu tentava melhorar um pouco e quando eu achava que já tinha chegado no limite, sem perceber, você se supera. O oral foi alguns meses depois, foi muito tranquilo, os examinadores foram extremamente educados, perguntas pé no chão, todas atreladas a atuação funcional. Agradeço ao trabalho do JÚLIO que me deu confiança e me mostrou que eu seria capaz de fazer um bom oral. Uma dica valiosa do JULIO que vai de encontro às dicas da maioria dos cursinhos é a SINCERIDADE. Notei que isso gerava uma empatia muito grande dos examinadores, de modo que no meio do meu oral, aquilo que era para ser uma prova, mais parecia uma conversa formal. Quando ele me disse que eu passaria entre os primeiros, eu não acreditei. E agora veio a aprovação na 4ª colocação. Não me preocupei em falar sobre cursos, materiais, métodos, pois isso pode ficar para outra hora.



O mais importante é não desistir. Fazer uma autocrítica e ter determinação. Eu nunca estudei mais que 3 horas líquidas por dia, mas eu estudava todo santo dia (feriados, inclusive), com exceção de domingo. Somente na véspera da segunda fase que eu dava um gás final. O segredo é persistência. Persista no seu material, no seu método, na sua rotina, faça as correções devidas, sem abandonar tudo para recomeçar.


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Um comentário:

  1. Excelente depoimento, Julio. Obrigado por disponibilizar, estou sempre de olho nas postagens.
    Marco, obrigado por seu depoimento, sem dúvida, sua aprovação foi merecida pelo preço que pagou. Parabéns pela jornada e aprovação, bem como, por ter tornado-se pai, felicidade e saúde para você e sua família.
    Abraços!

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