Trajetória nos concursos - Ana Lúcia Todeschini Martinez

By | dezembro 06, 2019 Leave a Comment


Trago hoje a trajetória de Ana Lúcia Todeschini Martinez (@analuciatmartinez), aprovada para juíza do TJRS (concurso encerrado em 2019). Ana é mais uma das concurseiras que conciliou a jornada de estudos com a maternidade! E um ponto que acho fantástico na Ana é o que ela lembrou no relato: a lei do retorno. Ana é, visivelmente, uma pessoa que quer, de modo bem sincero, ajudar! E, ao contrário do que uma antropologia egoísta poderia sugerir, isso traz muito mais ganhos do que perdas: com amigos, tudo fica mais fácil! Assim ela cruzou a linha de chegada: com muitos amigos no concurso e um espírito que só engrandecerá a magistratura gaúcha! Muito obrigado, Ana!

O querido Júlio César abriu um espaço em seu Instagram para eu contar um pouco da minha história. Então lá vai.
Concluí minha graduação em 2005 em Jacarezinho, no Paraná. Advoguei por pouco tempo, pois em 2007 tomei posse como técnica judiciária no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. Também em 2007 me casei. Em 2009 nasceu meu amado filho.

No TRE foram anos de aprendizado. Mas me faltava algo mais. Fiz vários cursos e um deles era voltado para a tutoria on-line.

Uma grande vontade de voltar a estudar surgiu nessa época e em 2013 participei do processo seletivo de mestrado da faculdade.

Fiz uma excelente avaliação. Meu projeto era bom. Mas na entrevista não tive êxito. Lembro até hoje das palavras do examinador: "A senhora acha que dará conta? Sendo servidora e mãe de uma criança?" 10 vagas. Fiquei em 13o lugar.

2014 foi um ano de "amargura", mas de renascimento. No final de 2014, a juíza da nossa comarca me deu uma direção nos estudos e me "ensinou o caminho das pedras".

"Primeira fase: leia lei seca, vc precisa ler súmulas e informativos. Entra nesse site: dizer o direito." Parece que ainda escuto aquela menina me pegando pela mão e me mostrando um caminho.

Então, em 2015 comecei a fazer provas. Foram muitas desde então... TJMS (caí na subjetiva). TJRS (caí na sentença cível). TJSP (caí na subjetiva por 0,15). TJPR (na subjetiva por duas vezes). TJSP (fiquei por uma na objetiva) TJSC (não fui fazer a segunda fase). TJRS e TJMT (aprovada para a oral).

Foram erros e acertos. Nesses 5 anos, confesso que no início de 2019 eu estava a um passo de jogar a toalha. 

A vida passando, a infância do meu filho passando. E eu levantando e dormindo estudando.

Quando programava fazer um passeio no fim de semana, tinha que correr ainda mais com os cronogramas. Para a consciência não doer.

No último dia 14 tive a notícia mais maravilhosa: a aprovação.

Confesso que a ficha não caiu totalmente. A gente demora acreditar quando esse dia chega. Mas ressalto: ele chega.

O caminho é cheio de altos e baixos. Engana-se quem pensa que é uma linha reta. Às vezes a sensação de retrocesso nos resultados é inevitável. 

Se eu tiver que falar algo de bom para quem ainda está nesse caminho: 1) tenha fé - acreditar que existe um ser ou uma força superior que te dá forças faz com que a jornada seja mais leve; 2) tenha amigos - nem sua família vai compreender todas as situações que você vive. Portanto, sempre que possível, participe de boas conversas nas viagens dos concursos; 3)seja uma pessoa do bem - ajudar outra pessoa não irá te prejudicar em nada. O teu único concorrente é você mesmo. Tudo de bom que você faz, acaba voltando pra você. E tudo de mau também (eu acredito na lei do retorno - fica a reflexão); 4) abrace o concurso e a sua carreira almejada com muito amor. Pense nas coisas que irá realizar. Você servirá às pessoas. Esse é o propósito de tudo.

Acho que é isso amigos. Meu caminho não foi nem de longe um mar de rosas. Venho de uma família humilde. De pais semianalfabetos, que trabalharam na roça. Mas ambos me ensinaram a trabalhar, nunca querer algo que não é meu, viver honestamente. Tenho muito a agradecer. Nesse momento é só o que consigo fazer.

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